sábado, 28 de fevereiro de 2009

Pelo sonho...

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança
naquiloque talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


Escutei simplesmente a voz do silêncio
Que me dizia claramente que te amava,
Olhei o céu onde se cruzavam duas aves de rapina
que se escondiam numa nuvem caprichosa
e tapavam o Sol.
Ó Sol que aqueces o meu ser
Toca-me com os teus raios fulminantes
tal Ícaro, voando ao teu encontro fatal!
Abandona-me no imenso areal que perde a vista de quem é cego!
Voo em teus braços e vejo o mundo com os teus olhos
Tenho uma alegria singela ao ver as águas chorarem os rios pachorrentos!
O sol de uma nuvem está tão pequeno que não me atrevo a descobri-lo.
Sinto que sentes a sensação do abismo em que me encontro!
Estou tão extasiada com a tua presença que me sinto louca,
Escrevo a pensar que a minha loucura se desvanece com a madrugada lenta que se aproxima.
Atrais-me como um gato que vagueia nos telhados altivos do vizinho à procura de um raio de lua!
Vislumbro além da escuridão e da confusão que me entorpecem a alma, os teus olhos que acertam com setas lancinantes o meu tão pobre coração!
Peço-te que sonhes com a magia que o meu olhar translúcido, transparece a realidade suja que te envolve o corpo.
Peço-te que grites os porquês da vida tão constantes no meu ser!
Peço-te que não desocultes os meus segredos no recôndito da minha memória.
A verdade é única e serena no meu pensamento,
Chama teu nome, de forma calorosa mas deixa-me na angústia da saudade injusta!
Deixo-te a minha verdade humana,
Aquela que jamais poderás recusar,
Aquela que te trará protecção nas feridas,
Aquela que te irá vencer!
Quero-te nesta imensa saudade que os teus olhos me mergulham!
Oh triste destino!

Tocar o sol é uma quimera desejada e impossível!
Dá-te por inteiro sem deixares qualquer parte de ti ao relento, dá-mo apenas a mim!

A mim que sou tua!

Tua inteiramente!

Croquis parisien


La lune plaquait ses teintes de zinc
Par angles obtus.
Des bouts de fumée en forme de cinq
Sortaient drus et noirs des hauts toits pointus.

Le ciel était gris.
La bise pleuraitAinsi qu'un basson.
Au loin, un matou frileux et discret
Miaulait d'étrange et grêle façon.


Moi, j'allais, rêvant du divin Platon
Et de Phidias,
Et de Salamine et de Marathon,
Sous l'oeil clignotant des bleus becs de gaz.

Paul Verlaine (1844-1896)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Lembro-me...



Lembro-me de sonhar contigo
e tu ainda estavas comigo,
Seguravas a minha mão com força
Sentia na tua voz o medo de me perderes,
O teu olhar cúmplice
revelava-me os segredos da Natureza.
Disseste-me que um dia
não estarias ali a segurar a mão,
Inocente, perguntei-te
se não me amavas mais.
Olhaste-me no fundo dos meus olhos castanhos
e mostraste-me o sorriso mais luminoso,
abraçaste-me com força,
deste-me um beijo leve na face direita,
e disseste-me que
as estrelas seriam as nossas mensageiras,
e que quando quisesse sentir
a segurança da tua mão
bastaria fechar os olhos e pensar em ti!